sexta-feira, 19 de junho de 2015

Rompendo o Limite



A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. (Allan Kardec).


João era um homem pacato e discreto, mas que procurava incessantemente pelo sinal de Deus para crer na sua existência. João apesar de ser um homem dito normal, possuía opiniões ao contrário a pontuais questões e sempre dotadas de certos preconceitos sociais e escolhendo as suas amizades pautadas por uma considerável normalidade social.

Quem saia do seu crivo não era digno de sua amizade ou mesmo da sua atenção, vivia numa cidade do interior e como tal, todos se conheciam. O padre da cidade tinha muita simpatia pelo senhor, o que despertou um laço de amizade muito importante, mas João não admitia que o padre falasse de Deus, queria um sinal mais evidente. Certa vez, houve uma grande tempestade nesta cidade, um caos generalizado, e João viu a sua casa tomada pelas águas e o que avariou grande parte dos seus bens, deixando-o simplesmente com as roupas do corpo e limitados a alguns pertences, tudo acabara.

Ao seu lado vivia um homem negro e do outro lado uma mulher divorciada, o que para João era um disparate, pois seu coração viva cercado de preconceitos, e ter eles como vizinhos era inadmissível e nem sequer os cumprimentavam.

Na ocorrência do drama daquela cidade, os moradores se reuniram em solidariedade para ajudar uns aos outros a amenizar as perdas materiais e entre eles João, que fora um dos mais atingidos e prejudicados, sua casa não havia praticamente mais nada. Mas os seus vizinhos, aqueles que ele não gostava, também foram atingidos, mas com menor impacto e se solidarizaram com os demais moradores. E mesmo sabendo da dureza do coração de seu João, mesmo assim se aproximara dele estendendo a sua mão, mas seu João mantinha o seu orgulho e rejeitou a solidariedade de ambos.

Passara algum tempo e a cidade voltara a sua normalidade, mas João ainda sofria para se reerguer, pois não dispunha de um privilegiado recurso financeiro e com muita dificuldade adquiria móveis usados a sua precisão e alimentara-se com o básico. Em algumas ocasiões os seus vizinhos, aqueles, tentara aproximar para ajudá-lo, mas João mantinha-se irredutível em seu preconceito e desafiava a Deus querendo ainda algum sinal evidente da sua existência. E declamava sempre, se o Criador existisse não permitiria aquela situação, e se era bom, como às pessoas diziam ser, não permitiria que determinadas pessoas vivessem em sociedade, como os seus vizinhos.

João não tinha família e convivia com poucos amigos que moravam mais distante de sua casa. Em certa ocasião, voltando das compras, seu João é assaltado na porta de sua casa e leva um tiro, o seu vizinho, aquele negro, ao qual sempre o rejeitara pela cor de sua pele, logo o socorreu e o amparou, levando-o para o hospital. E naquela ocasião, a cidade se mobilizou, assim como o padre, que era um dos poucos amigos de seu João. Por ocasião do tiro levado, perdera muito sangue, e era preciso urgente uma transfusão. E mesmo diante dessa situação se manteve lucido. Como não havia família, haveria de encontrar um sangue compatível para o procedimento e de imediato o padre, o negro e a divorciada que estavam com ele e o conhecia se prestaram ao exame, e confirmou que apenas o negro era compatível, e ao saber da noticia, seu João se revoltou mesmo no leito convalescente, mas não adiantou, ele não aceitou a transfusão, resultado, no início da manhã, seu João veio a falecer.

O espírito de seu João por um longo tempo vagou por regiões inferiores, mesmo que nunca se tenha ouvido falar de algo que denegrisse a sua conduta moral, mas a sua postura arredia e preconceituosa o levou ao suicídio inconsciente, o que causou anos de um sofrimento incalculável. Passara-se algum tempo e após um considerável lapso foi resgatado, pois o sofrimento levara a pedir o perdão verdadeiro e a misericórdia de Deus. Ao ser resgatado e levado para a colônia espiritual, eis que surge para o seu cuidado, os seus vizinhos na Terra, aquele o negro e a divorciada que tanto rejeitara, e ao avistá-los derramou-se em lágrimas incontroláveis, tanto pelo arrependimento quanto pela vergonha, mas ambos trataram de acolhê-lo com muito amor, e desde então passara a cuidar do seu espirito preparando-o para retornar ao planeta como um negro e tendo com esposa a divorciada. Mesmo sendo rejeitada nutriu um amor incomparável por seu João que a fez aceitar na condição de ajuda-lo para merecer o progresso, e ambos seriam acompanhados pelo irmão negro desde a concepção até o fim da encarnação como anjo protetor incentivando a pratica do bem soprando em seus ouvidos aquela voz da prudência que sempre nos alerta.

Este resumo meus amigos nos mostra o quanto devemos valorizar as pessoas que estão ao nosso redor, sejam elas próximas ou não, sempre havemos de respeitar uns aos outros, pois amanhã estes poderão ser os anjos que nos amparara nas nossas necessidades inúmeras. Nunca desafie a Deus pedindo-o para que lhe mostre algo fabuloso quanto à prova de sua existência, para isto basta olhar para si mesmo e ao redor e testemunhará o quanto tudo que envolve a sua obra é o mais perfeito sinal da sua misericórdia.

É tempo de eliminar toda forma de preconceito, elevar a tolerância e a paciência, é tempo de amor, é tempo de mostrar a grandeza de Deus em seu coração. Veja o seu irmão não pelo que ele é na sua particularidade, mas sim o que ele representa em sua verdadeira obra. Se há alguma antipatia para com seu próximo, estenda a bandeira da paz, mas se ainda não consegue tal feito, respeite-o como irmão e não faça com este o que jamais gostaria que ocorresse com você, pois é assim que se constrói a paz. E se este não fizer a sua parte te respeitando, não incite a guerra, trate de dispersar a sua atenção e dê gloria a Deus pela vida, perdoe setenta vezes sete vezes quantas vezes forem necessárias à mesma ofensa e todas mais. É pelo perdão que brota o amor e a misericórdia em vislumbrar a miséria do outro como fraqueza e a força em si para não cair em tentação.

Elevei a Jesus, eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. E é a fé que anima o santuário da alma no desejo do Pai pela unidade do espírito com o sacramento universal do amor e o caminho coletivo para a salvação.

Dr. Bezerra de Menezes, escrito pelo médium Marcelo Passos.

19/06/2015.

Nenhum comentário:

Postar um comentário