quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Merecer o céu vai além da vontade


Quem nos separará do amor de Cristo? O sofrimento, a angustia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Romanos. 8,35.

            Alfredo era um fazendeiro muito rico do interior de Minas Gerais, era um homem austero, implacável, autoritário e muito poderoso na cidade onde era morador. Uma peculiaridade fazia parte deste homem, toda a manhã assim como as noites fazia suas orações e rezava sempre o Pai Nosso. Não perdia uma missa sequer nas manhas de domingo e se orgulhava quando era saudado por todos os presentes, o que aumentava ainda mais sua vaidade e seu ego, principalmente porque sabia que boa parte daquelas pessoas o temia.

            Era um homem que oferecia muitas oportunidades aos moradores, mas trabalhar para ele era verdadeiramente um desafio da tolerância e do exercício da humildade, pois não se rogava a ofender e tratar com desrespeito todos que o auxiliava. Perseguia desafetos e aqueles que o desafiavam, independente da condição do seu afrontador, arrasava a vida de seus oponentes sem qualquer piedade, os que faziam algo contrario a sua ordem ou errava qualquer atividade era mandando embora sem qualquer consideração e inclusive sem pagar pelo serviço, pois era um homem temido.

            Algumas pessoas que praticava a caridade na cidade iam até ele, mas eram destratados por Alfredo que dizia que pobre não merecia consideração e se estavam na condição em que se encontravam era por que fizeram por onde e não mereciam sua consideração. Segundo ele ajudava somente na igreja porque Deus o recompensaria no reino por suas generosas ofertas.

            Era um homem que vivia sozinho e nas noites silenciosas em sua fazenda ficava na varanda fumando e pensando nas suas posses e olhando para o céu imaginando que quando desencarnasse seria recebido com louvor pelos anjos, pois contribuía para a igreja e após algumas horas fechava a porta, ia para quarto, fazia a oração do Pai Nosso e adormecia. Levanta bem cedo, repetia a oração e desjejuava com os quitutes que sua cozinheira preparava e ia para o trabalho na fazenda, não cumprimentava nenhum empregado e logo já reclamava algo com sua austeridade peculiar.

            Num determinado dia de trabalho Alfredo tem um mal súbito e morre sem ter qualquer possibilidade de socorro, a sensação de alivio para muitos na cidade e tristeza para poucos que ainda o considerava, uma irmã que morava na cidade cuidou de todo seu funeral e quem herdou suas terras, pois não possuía herdeiros de seu sangue.

            No plano espiritual Alfredo acorda numa dimensão sombria e aterrorizante com pessoas olhando para si e com raiva e o encarava com desafio, amedrontado não enfrentava, estava bastante confuso e uma forte dor tomava conta de seu peito e de sua cabeça que o deixava sem forças, algumas pessoas aproximavam dele e jogava agua suja, desenhavam e zombavam de sua dor, deixando-o mais confuso, pois as dores eram permanentes e não encontrava meios para sanar sua enfermidade. Em alguns momentos de lucidez ia até um lago imundo cessar sua sede e logo era expulso, o juntavam várias pessoas para escarrar de sua pessoa e ao qual corria para fendas a fim de se esconder da perseguição. Quando via que não tinha ninguém saía e ia à busca de uma explicação e todos que ele abordava não o davam atenção, era um ambiente escuro como as noites silenciosas que ele sempre se encontrava.

            Estava sozinho e com medo, aquele homem temido por todos agora era um homem medroso e covarde, por muito tempo sua confusão existencial tomou conta de si e o fez agonizar por muitos anos num lugar sem esperança e sem novidades, a paisagem permanecia aterrorizante e sem vida e as dores do peito e da cabeça permanecia a consumir sua razão e por vários momentos o choro e a depressão tomara conta de seu ser.

            Quando se escondia em fendas para esconder dos grupos que iam para machuca-lo via algumas pessoas desaparecendo daquele lugar levado por algumas pessoas e não sabia o que significava, pois ninguém o explicava que lugar era aquele em que estava afinal tudo aquilo era muito confuso. Em uma determinada ocasião deparou-se com um homem que fora assassinado por ele em vida porque não pagou um determinado empréstimo e com a sede de vingança esse reuniu um grupo de homens que sofrera com as mesmas consequências por outros lugares que viveram e pelo sentimento do ódio foram colocados em mundos páreos a que Alfredo se encontrava, pegaram-no e amarraram a uma árvore e lá todos os dias surravam-no sem qualquer piedade, fazendo com que seu sofrimento e a dores aumentasse cada dia mais.

            Em uma determinada ocasião, lembrou-se de Deus e começou a rezar e a pedir perdão pelo tinha praticado a aqueles homens e a outros que lembrava. O seu pedido por algum tempo fora acompanhado por mentores que avaliavam a realidade do pedido e por quanto tempo mais seria necessário aquele calvário, eis que diante da caravana surge à frente sua mãe que por muito tempo orou pela redenção de Alfredo, caído e sem quaisquer forças ela o colocou em seu colo como fazia no tempo em que era uma criança sadia e os bons samaritanos o levaram daquele lugar.

            Já na câmara de retificação era velado incansavelmente por sua mãe que acompanhara todo o processo de fortalecimento dos seus sinais vitais e no despertar a admiração ao vê-la tomou conta do seu sentimento e um choro sem contensão tomou conta de Alfredo que soluçava como uma criança desprotegida e sua mãe com toda ternura permanecia abraçada ao homem. Ao se recompor arguiu sua mãe sobre todo aquele sofrimento que passara, e ela dizia que não era o momento de voltar ao passado e sim se recuperar e que no momento certo tudo seria esclarecido, e desde então até sua saída ela não saiu de perto dele.

             Já na casa de sua mãe e recebendo todo conforto e atenção, eis que recebe do ministro do esclarecimento João a convocação para uma audiência. Acompanhado de sua mãe fora esta com aquele espírito. Ao entrar recebeu todo respeito e atenção de João e logo convidara a assentar-se nas acolchoadas poltronas que relaxava seu espírito, junto a ele varias outras pessoas também aguardava a audiência individual, todos se olhavam sem trocar uma palavra, pois ainda eram recém-chegados na colônia.

            Passaram-se algum tempo e vendo todos que iam ter com o ministro saindo tristes e chorando sendo acompanhados de seus zeladores, aumentava a sua angustia, até que chegara sua vez, entrou e o ministro João o deixara bastante a vontade e com sua suavidade colocou deitado numa espécie de uma cama que flutuava no ambiente e lendo uma passagem do código divino, começava a conversa. João orava e mostrava num painel todas as ações que ele fizera em vida, os excessos, as benfeitorias, enfim tudo passava com bastante realidade sobre sua visão e as lagrimas desabava com uma cachoeira. Nenhuma ação boa e ruim passou impune a sua consciência e tudo que passara nas zonas inferiores pôs desencarne fora esclarecido sem qualquer manifestação do ministro que o liberou apenas dizendo, “o bom da vida esta sempre nas oportunidades em aproveitar o recomeço para escrever uma nova pagina da historia”.

            Este resumo meus irmãos é oportuno a todos os irmãos encarnados e desencarnados que creem que suas realidades são uma severa imposição do Senhor, o estado mental é determinante para quase tudo em nossa existência, assim como as ações praticadas, ninguém caminha sem a própria vontade, o livre arbítrio é lei assim como as escolhas são livres, o que realmente designara a sorte é a consciência. Agora se muitos transtornos tomam conta de sua mente e as dores forem constantes, siga as orientações do humilde e iluminado ministro, “o bom da vida esta sempre nas oportunidades em aproveitar o recomeço para escrever uma nova pagina da historia”.

            Construa as pontes da vida e não as muralhas isoladas a esconder-se do mundo, seja merecedor de orações alheias, caso contrario poderá apenas contar com quem o ama de verdade e em muitos momentos aquela que lhe proporcionou à oportunidade a vida estará sempre consigo, afinal mesmo o ser sendo perverso haverá sempre alguém que realmente o ama além de Deus e quase em sua totalidade é quem lhe proporcionou a vida. Compreenda seu semelhante, adquira a tolerância e a paciência, viva o respeito que tanto exige que tenham consigo, alivie as exigências, equilibre-se para sustentar sempre o altar do bem de Cristo em seu coração, reforme suas exigências e ações. A rigorosidade moderada faz bem, pois ensina que tudo deve haver uma disciplina e obediência e lembre-se que jamais a severidade deve dar lugar ao desrespeito e a humilhação de seus semelhantes, a comunhão de Deus nasce na respeitabilidade universal.

            Quando os exageros desacerbado tomam a individualidade rogue para que a consciência tenha tempo de redimir as confusões futuras e saibam todos não basta apenas rezar para Deus crendo ser o suficiente para salvação e muito menos ofertar aos templos valores financeiros que não pertence ao reino de Deus, o que realmente será determinante é o que a consciência e o coração levarão diante do Pai.


            Dr. Bezerra de Menezes, pelo médium Marcelo Passos.

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