terça-feira, 6 de agosto de 2013

O verdadeiro valor da maior riqueza



A vida não está no que se possui. Jesus.

            Um homem chamado João Maria possuía uma enorme fortuna e tido em sua cidade como o mais poderoso do lugar, diversas pessoas desejam uma atenção de João Maria que ditava sim as regras da cidade movidas pelas posses. João Maria era adepto das luxurias e das festas movidas a muitas praticas mundanas, somente os que eram de classe mais afortunada que poderia fazer parte de seu mundo.  

            Quem trabalhara para este homem deveria praticar a tolerância movido pelas necessidades básicas para se sobreviverem, pois era um homem irascível e bastante preconceituoso, dizia que serviçais não eram dignos de terem conforto e boa vida e que deveriam servir aos poderosos como ele. Em sua fazenda trabalhava muitas pessoas que realmente necessitavam, mas que viviam angustiadas e tristes, pois erros não eram tolerados e o menor indício de erro, era descontado nos salários e muitos eram movidos pelo erro ditados pelo dito soberano.  Muitos até ficam no mês sem salario e por medo não o enfrentavam.

            Mas era um homem que dependia de tudo para poder manter seus status e mordomia, para se alimentar dependia da cozinheira, para dormir confortável dependia das empregadas, para se vestir bem, dependia das arrumadeiras da lavanderia, para manter os status dependia por completo do esforço físico de seus diversos empregados, ele apenas ditava as ordens de forma agressivas e preconceituosas e ficava contando os valores ganhos.

            João Maria fora filho de José Luiz, que era um homem bom, compreensível e ajudava a cidade e sua população, jamais esbanjava luxo, ao contrario, era amado por todos nessa cidade, este seu filho crescera no lombo de seu cavalo e via e não compreendia os motivos que seu pai tratava todos daquela forma e desde novo não tinha simpatia pelos mais humildes e os desdenhava, era órfão de mãe que falecerá no parto e foi criado pela cozinheira que lhe serve até os dias atuais, não tinha envolvimento afetivo com seu pai, apenas era um anjo bom que por gratidão tentava ensinar boas maneiras ao jovem João Maria.

            Com a adolescência e o contato com outras pessoas da cidade, João Maria adquiria uma personalidade agressiva e mais irascível para com os mais humildes e com a morte de seu Pai assumira o império construído com dignidade, honestidade e justiça e em pouco tempo transformara os negócios em algo bastante lucrativo, triplicando em pouco tempo sua fortuna, teve diversos casamentos e apenas um filho, mas este filho acompanhara sempre os desmandos de seu pai e se indignava pelos tratos aos servos da fazenda bem como as demais pessoas da cidade e se posicionado contra seu pai, este o enviara para casa de sua mãe para morar, o expulsando da fazenda.

            Numa determinada ocasião, uma de suas servas ficara gravida, ao saber este homem a humilhou com bastante acidez nas palavras em seu mais sagrado intimo, com medo a mulher aceitou com bastante tristeza e sendo testemunhada por outros empregados, ela em prantos chorou até adormecer e ao acordar vira uma enorme possa de sangue e fora ao hospital que diagnosticou o aborto espontâneo, muito triste e abalado, ela pediu contas da fazenda e o homem poderoso a expulsou dizendo que não tinha nada a acertar com ela e com um pontapé a derrubou pelas escadas e sofrerá uma morte instantânea. Sem demonstrar qualquer compaixão chamou um de seus capatazes para jogar o corpo da mulher no rio. Obedecendo a ordem do patrão este sensibilizado providenciou sem que o homem soubesse um enterro digno.

            A notícia da morte e da forma como ocorrera com esta mulher, a cidade com bastante espanto e mesmo indignação comentava as atrocidades de João Maria, até mesmo as pessoas que gostavam de esta com ele nas festas e até os políticos que sempre se aproximara para que ele patrocinasse suas eleições, se indignaram, as festas começam a se esvaziar, mas nada abalava este homem que não conhecia a compaixão e os valores humanos.

            Na eleição para prefeito que era neste mesmo ano, não encontrou sequer alguém para lhe dar o apoio, oferecera enormes fortunas, mas ninguém queria mais saber dele, indignado se lançou candidato e colocando um de seus homens de confiança na sua composição, pois ninguém o queria mais. Sua eleição foi marcada por muitos abusos, agressões e mesmo perseguições pessoais aos carentes e pobres, muito dinheiro gasto e no final da apuração este ficara em ultimo lugar no resultado, irado, no dia seguinte pegou todos os seus funcionários e com bastante cólera humilhou a todos, e o seu capataz que havia sido obrigado a compor em sua eleição, o apontou a arma pedindo que ele se calasse e o homem com uma fúria, a queima roupa e com a habilidade em atirar matou-o com o projetil certeiro em sua fronte. Indignados todos os funcionários naquele momento recolhera seus pertences e saíram, deixando-o completamente sozinho na enorme fazenda. E vendo todos saindo pela porteira, gritara e zombando de todos que não precisara mais deles e que tinha poder para contratar quem quisesse.
                                                                              
            No mesmo dia anunciara na estação de radio local que precisara de funcionários para sua fazenda, mas ninguém aparecera, repetiu o anuncio diversas vezes e ninguém aparecera. Desesperado sem saber o que fazer, mandou buscar pessoas em outras cidades e oferecendo um ótimo salario, mas sua fama percorrera as demais localidades e ninguém se candidatara, fora atrás de seu filho que morava com sua mãe e este ao ver o pai desesperado, negou ajuda-lo, pois nunca comungava com as atrocidades de seu pai e que pedira a mãe para expulsa-lo de sua casa.
           
            Voltando para casa, desapontado e solitário, começara a ver que sua dependência com as pessoas era enorme, não sabia sequer cozinhar e mesmo lidar com as tarefas de sua fazenda, ligou para vários amigos e familiares e ninguém queria saber do homem, começou a ter que ir aos locais fazer compras e como nunca precisou fazer isso teve suas dificuldades, quando chegava aos locais, as pessoas se afastavam e muitos viravam o rosto. Quando se deparava com antigos funcionários e mesmo amigos de farra na cidade e tentava uma aproximação, era logo xingado e ignorado, com o tempo fora se entristecendo. E numa determinada ocasião, eis que aparece em sua fazendo, a cozinheira que cuidara dele pequeno e ajudou a cuidar de seu filho também, ao avista-la, correra e de joelhos clamava sua compaixão e perdão e pedia para ela não o abandonasse. Sensibilizada a velha cozinheira o abraçou e aconselhou ele a mudar sua postura, e disse que voltara para a fazenda porque acreditava que ele era um homem de bem, mas que se perdeu e agora reconhecia o valor que se deve dar a todas as pessoas. Deste momento em diante, ela teve com João Maria até sua morte que morrerá solitário e deprimido, por ter fortuna e nenhum amigo.

            Este caso irmãos deve servir para todos, encarnados e desencarnados, com bastante atenção e propriedade para com nossos comportamentos frente à sociedade de Deus, na vivencia confiada pelo altíssimo. Somos todos iguais no sentir e na caminhada, alguns com evolução mais desenvolvida outros menos, uns com privilégios materiais e outros menos. Jamais devemos desenhar o próximo que é nosso semelhante, pois no reino de Deus nenhuma condição social material poderá salva-lo, e sim a fortuna adquirida no intimo sagrado, o amor, o respeito, e a caridade, acompanhados da tolerância, paciência e perdão. E devemos valorizar sempre a maior riqueza que há em nossos semelhantes, é o que se guarda no intimo, agindo assim jamais seremos pobres e sim ricos de Deus na fortuna maior da felicidade.

            Dr. Bezerra de Menezes.


            

Nenhum comentário:

Postar um comentário