sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O EXEMPLO DO REI ARREPENDIDO



Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos. Mateus. 20,16


            Em meados do século XVII na Europa vivia num determinado país, uma monarquia soberana que ainda se mantem viva até os dias atuais, mas por lá vivia no palácio real uma enorme família do soberano e diversos servos que atendiam os desmandos e caprichos da realeza, não recebiam moedas de ouro, apenas lugar para dormir e alimentar-se, mas haviam de cumprir uma jornada intensa de atividades.

            Os maduros soberanos, rei e rainha, tinham de pouco assumidos o trono da coroa, mas por ser a autoridade máxima daquele país não eram tão austeros como foram seus antecessores, administrava com mais sensibilidade seu povo e seus criados. Ao longo de todo reinado foram decisivos e que refletem até na presente realidade.

            No auge no governo, eis que a Rainha engravida do Rei, a notícia se espalha pelo país sobre o futuro sucessor da coroa, na ocasião foram ovacionados, pois o povo acreditava que a monarquia, Reis e Rainhas e seus herdeiros eram escolhidos pela divindade, eis ai uma explicação por tamanha veneração que estas famílias ditas reais eram respeitadas e mesmo temidas, como também se juntava com a igreja e os sacerdotes como o Papa para homologar dita informação. A gravidez da Rainha transcorreu bem, foi toda cercada das pompas e presentes que eram ofertados pelos ricos e também pelo povo, sendo que os presentes do povo eram separados e distribuídos aos servos.

            Nasce o príncipe e futuro rei, o povo e toda aquela monarquia comemoram o nascimento da criança, uma grande festa é dada para apresentar o futuro coroado ao povo. A criança vai crescendo e se adaptando a todas as regras e comportamentos reais, desde novo já tinha ao seu redor servos a atender seus caprichos, o jovem vai se desenvolvendo e chega à idade adulta, muito inteligente e astuta, forma uma significante rede de amizades no palácio, mas o que seus pais não esperavam que ele desprezasse os servos do palácio e destratasse o povo daquele lugar, constantemente era reprimido por seu pai, mas não surtia efeito algum, o jovem permanecia irascível, crescera tendo muitas mulheres e luxos ao seu redor, o que preocupava seus pais era que o sucessor da coroa tivesse aqueles comportamentos e não se firmava em nenhum relacionamento.

            Eis que morre seu pai, o rei, o povo todo daquele lugar se entristece. O jovem futuro rei não importava com o desenlace de seu pai, o futuro poder já tomava conta de seu intimo, mas sua mãe ainda vivia e que assumiria o trono principal dali para frente, inconformado por não assumir de imediato o trono, o rapaz de rebela, torna-se chefe da guarda local, imposição feita à rainha, sua mãe. Ao longo de sua gestão como chefe da guarda, cometera diversas atrocidades, saia pelas ruas humilhando e prendendo quem achava que deveria prender e ao ser arguido pela Rainha, se revoltava e falava mal de sua mãe na frente de seus súditos, o que causava enorme constrangimento e tristeza a soberana. Eis que a Rainha se entrega a doença e então o tão cobiçado reinado é assumido pelo rapaz. E ao tomar posse do trono diante do povo, com sua arrogância imperialista diz: “Esqueçam o Pai e a Mãe que tiveram, agora terão um Rei de verdade”.  Nada mais pronunciara e então foi determinado que os impostos da época devessem aumentar e sua fortuna triplicar, muitos perderam suas casas, comércios e mesmo a vida, por não atender as exigências reais.

            Quem estava ao redor do novo reino para esta bem, atendia com grande violência os desmandos contra o povo, até que ele resolve que deveria ter um servo a sua disposição constantemente, por isso contratou uma senhora que seria no momento sua criada permanente, pobre senhora, não imaginava o que viria adiante. A senhora não tinha mais livre arbítrio e nem direitos, nem direito ao sono e a sair dos muros reais e quando ela se mostrava cansada, era colocada de castigo em um porão escuro por um dia e sem direito a alimentação e luz do dia, e após era novamente reconduzida aos caprichos reais e era bastante humilhada pelo soberano, que a fazia sentir-se muito pior. Mas esta senhora era muito religiosa e se apegava com Nossa Senhora e vivia pelo palácio orando pela virgem e ao qual tinha forças para suportar toda aquela situação.

            Numa determinada ocasião, fraca e sem folego, eis que a senhora morre na frente do Rei, nervoso, o soberano exige que o corpo fosse jogado no rio para que fosse devorado pelas feras e determinou que outra fosse substituída.

            Dias depois o rei conhece uma linda moça que era noiva de um dos guardas do palácio e a rapta e faz-se sua mulher, humilhada e envergonhada, a jovem se cala. Passa algum tempo eis que a moça tem a noticia da gravidez e tem certeza que era do soberano, então conta toda verdade ao noivo que revoltado a abandona e desperta uma ira contra seu rei, a jovem procura o rei, que agrada da noticia da gravidez, mas a coloca num quarto especial longe do seu. Nasce à criança, um varão. E o rei e os servos se alegram, mas manda matar aquela mulher a sangue frio, pois não suportaria ver o trono de sua família sendo ocupado por alguém do povo e toma a criança para si e por decreto, nomeia a criança como futuro rei. Após a assinatura do termo, num ataque fulminante eis que morre o rei. Como não havia constituído família, o país fora administrado por pessoas que esperava o jovem e futuro rei, atingir a idade maior. E ao atingir a maior idade, assume o trono aquele jovem, que fez um governo totalmente voltado para o bem e fora de verdade amado por todos, e fez uma grande descendência de bons reis e rainhas.

            Com o desenlace deste ditador rei, seu espirito de imediato fora para as zonas inferiores, perseguido por todos que mandara matar e que morreram em decorrência de seus desmandos. Conseguiram o prender e o humilhavam constantemente, era chicoteado, zombado. Perseguido por muitos anos naquele vale sombrio, ate que veio a sentença de sua condenação espiritual e fora levado para a penitenciaria espiritual e condenado há meio século, para que pudesse pensar e reformar seu espirito.

            Ao chegar à penitenciaria, eis que tem uma surpresa, aquela senhora que era sua serva e que tanto fora humilhada e seu corpo jogado aos crocodilos para ser devorada, era uma das assistentes do local e vendo o rapaz condenado veio a tona o passado e este olhando para ela, pediu perdão de joelhos e chorou aos seus pés e a beijou insistentemente. Ela o colocou de pé e severa diz, perdoou, mas o senhor esta aqui para pensar em tudo que fez, não apenas a mim, mas para que reflita o quanto fez as pessoas sofrerem e do que adiantou ter tantas pompas e luxos, que agora o que restava era sua consciência presa às trevas do mal e nenhuma fortuna o fora aliado naquele momento. Então a senhora novamente voltou a dar assistência a aquele homem, mas como era trabalhadora de Nossa Senhora, ensinou o rapaz todos os dias, o oficio do bem. Ao se libertar fora novamente enviado reencarnado a aquele país que um dia foi rei, mas na condição de miserável da matéria, mendigou pelas ruas e dormia nos albergues, fora perseguido por outros que foram os seus perseguidos na época que era rei e que também vieram ao resgate pelos sentimentos de vingança, até que numa determinada ocasião, caiu no rio e fora devorado pelos crocodilos.

            Estava então feito a justiça divina e este subiu a sociedade de Deus e viveu novas encarnações e vive até o presente momento no país em que tudo começou, mas hoje é um homem de bem, pois aprendeu de verdade fazer e viver o bem, teve como sua mãe, a senhora que o acompanhou desde seu reinado e a quem foi tão ruim, mas que com amor, soube dar ao rapaz a dignidade do bem, pois seus espíritos estão ligados por milênios.

            Então meus amigos este caso serve para reflexão para todos, onde ao encontrarmos em determinadas posições social, não fazer deste pedestal motivo de desprezar quem dito, abaixo de sua hierarquia, mesmo os seus inimigos e desafetos merecem respeito, pois nunca se sabe quando precisará deles, e quando este momento chegar, não se entregarem a vergonha e ter que lidar com o pódio do orgulho e da vaidade, e ter de se vestir de humildade e pedir perdão e misericórdia. Pois a justiça de Deus realmente é justa e sempre nos fará confrontar com nossas praticas, ações e pensamentos, pois ninguém subirá ao reino sem está completamente limpo e de fato ser merecedor de receber está desejada graça.

            Por isto irmãos, revejam todos seus conceitos, pois a verdadeira realeza não esta no trono que se senta ou nos ouros que se banham e sim no comportamento que decretamos e no sentimento e na ação que colocamos em nosso favor a serviço de todos.


            Dr. Bezerra de Menezes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário