quinta-feira, 21 de março de 2013

De pai para filho




            Abaixo parte de uma carta de um pai enviado para seu filho após seu desencarne

            Olá Paulo, que bom meu filho que consegui que você recebesse esta carta, precisava muito meu filho esclarecer muitas coisas.

            Quando você nasceu meu filho você não imagina a felicidade que tomou conta de mim, na noticia que você vinha a fazer parte de nós me pegou um pouco de surpresa, uma mistura de sentimento tomou conta de mim, não sei se chorava se sorria, somente sei que uma felicidade tomou todo meu ser e de sua mãe também coitadinha que não conteve de alegria.

            Você nasceu nossa família de formava e eu o visualizava um homem de bem como você realmente se tornou meu filho. Estava junto com você quando deu o primeiro sorriso, abriu o olhinho para o papai, de noite quando você chorava eu acordava preocupado se você sentia dor ou estava com medo de alguma coisa, mas estava lá filho, pronto para te proteger do mundo e de qualquer mal lhe trocava todo quando estava sujinho.

            As primeiras palavrinhas tão doces e inocentes, você desbravando o mundo, vendo tudo, querendo mexer em tudo e você ia crescendo, mas aventura você queria fazer, mas sempre estava lá, quando ia para o trabalho, meu pensamento era só felicidade por você existir Paulinho, contava os minutos para sair e ir para casa e brincar com você. Você era o super-herói que prendia o papai lembra, brincávamos muito, até você dormir em meu peito escutando seu sonar mais puro.

            O tempo foi passando e você ficando maiorzinho e as responsabilidades também meu filho, tanto para mim e principalmente para você, quando você entrou para a escolinha e eu vendo você chorando pedindo “papai não me deixe” e eu com coração em pedaços via o que era melhor para você, e quando ia te buscar, a alegria que você corria para meu abraço, quando você foi crescendo nas series que você era aprovado e passando para as demais, te acompanhava a todo instante, sem despreocupar um segundo com seu futuro. Sei que brigamos muitos, discutimos, mas se isso aconteceu é porque o amor que sempre senti era de um amigo que jamais reparou se você teve defeitos ou não.

            Mas o tempo foi passando né Paulinho, fui ficando mais cansado, mais fraco e você crescia este homem forte, inteligente e com a idade madura você já atingia a maioridade e a conquista do seu curso superior, você não sabe a alegria que preenchia minha existência, a minha certeza de que tudo deu certo. Mas filho eu te escrevo porque quero te pedir desculpas o quanto na minha velhice eu lhe perturbei, me desculpe quando não conseguia mais coloca-lo em meu colo, me desculpe quando e quantas vezes minhas mãos fraquejavam e eu deixava o garfo, o copo e até mesmo o prato cair, me desculpe quantas vezes eu tive que tirar você das suas atividades pelos tombos que tomava porque as pernas não mais aguentavam me sustentar, me desculpe das vezes que fiz você me dar banho porque não mais conseguia ficar de pé e até o interrompia quando estava vendo seu futebol na televisão.

            Mas quero te dizer também que nunca tive e nunca vou ter nenhuma magoa de você, mesmo quando me dizia que eu era um estorvo para você, quando me dizia que eu devia ir logo para debaixo da terra, quando me falava que eu era um velho estupido, lembra quando quebrei aquela louça que você havia me comprado e depois me deu um prato de alumínio, você não sabe o quanto me senti aliviado, pois não tinha mais como te causar prejuízo e quando você casou-se com sua bela esposa, fiquei tão feliz por você, mas foi uma pena eu não esta junto de você, pois as minhas necessidades não mais conseguia esconder a dependência de você, mas estava lá no meu quartinho que você fez para mim naquele porão que você guardava suas ferramentas e quando você me colocou no asilo fiquei feliz porque tinha a certeza que deixaria você livre para fazer tudo que sempre quis e eu o impedia, nossa filho você não sabe os desafios da velhice e o quanto temos que nos adaptar as novas gerações, é muito desafiador. Não quero filho que você encare esta carta como um lamento, não, porque tenho visto que esta triste, mas eu te amo meu filho e nenhuma tristeza tenho dentro do meu espirito. Mas o que mais lamento filho é de não poder te tido tempo de despedir de você da minha passagem ao planeta, agora de uma certeza pode ter, eu te amo muito.

Um beijo, Papai.

Dr. Bezerra de Menezes

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