quinta-feira, 21 de junho de 2012

Anjos sem asas

Seu João era porteiro de um luxuoso condomínio fechado, trabalhava desde que foram morar os primeiros habitantes, era um senhor negro de idade mais avançada, morava longe, e diariamente ia alegre ao seu trabalho.  Todos que passavam e era cumprimentado com alegria pelo seu João.  

Todos o cumprimentavam com bastante educação, com exceção de Marcos, um jovem de 20 anos, que vive sempre às custas dos pais e não busca nenhuma ocupação para ocupar sua mente, sua paixão nos carros não o deixava caminhar na responsabilidade da vida.

Sempre que passava pela portaria do condomínio, Marcos apenas parava o carro e de janela fechada ficava e nem respondia o cumprimento de seu João, como tinha um coração bom não importava com a indiferença do rapaz. Quanto retornava abria a janela para saber se há correspondências e nem assim deixava o orgulho de lado. E com rigidez cerrava a janela e saia cantando pneu.

Chegara sexta feira e Marcos limpava seu carro na ânsia da festa de mais a noite, caprichava na limpeza, o dia ia caindo e na internet combinava com os amigos sobre o encontro e programava uma noite de muito agito. Nove horas da noite, Marcos acorda após uma sonada e vai para o banho,  sua roupa já separada, perfume especial e pronto para a balada, despede do pai e pede um valor para que possa desfrutar dos prazeres da carne, sai sem agradecer, chega na portaria e seu João escalado para aquele plantão, saúda o jovem e o abençoa dizendo “ Deus lhe acompanhe”, Marcos em deboche diz, “ deixa de caretice velho”, e sai rindo.

A noite transcorre conforme planejava, Marcos abusa da bebida e das drogas, se aproxima das mulheres que mundanamente comunga aquele prazer destrutivo. Madrugada vai caindo e Marcos sem domínio das suas condições sanas pega o carro juntamente com os amigos , entra no veiculo e encarna o espírito aventureiro e parte numa velocidade incrível pelas ruas, som alto, vidros fechados e sem se importar com o respeito as leis, avança sinal, cruzamentos, e buzinaços a madrugada pelas avenidas. Ate que entra numa via de transito rápido, como estava vazia, usa toda a potencialidade do veiculo e durante a velocidade eis que surge no seu caminho um andarilho que cambaleava pela via, e ao tentar desviar perde completamente o controle do veiculo e capota varias vezes seu potente automóvel.

Uma tragédia, todos seus amigos morrem instantaneamente e Marcos sobrevive, perde bastante sangue, é conduzido ao pronto socorro, seus pais em desespero ao saber da noticia saem em disparada ao encontro, chegando ao pronto socorro recebe a informação que seu filho sofreu varias lesões, principalmente na coluna e corria o risco de não poder mais andar,  perdera bastante sangue no acidente e que precisaria de transfusão urgente, só que o tipo do seu sangue era raro e não recebia transfusão de qualquer outro, somente do seu tipo, os pais desesperados soubera que não eram compatíveis, então voltam para casa na expectativa de encontrar alguém que possuía. Ao passar pela portaria encontrara seu João se preparando para ir embora, e ao baixar a janela conta todo drama e diz da raridade e da dificuldade de encontra a compatibilidade sangüínea, então seu João interessando em ajudar pergunta qual era a qualidade do sangue, então fica sabendo e lembra que o seu é o mesmo de Marcos, e se prontifica a doar de imediato, os pais emocionados, diz “ - mas o senhor esta no final de plantão, deve esta exausto”.  Seu João na sua humilde sabedoria responde “ – tenho uma vida e uma eternidade para dormi, faço questão de ajudar o marquinhos”. Emocionados, não vão em casa, abre a porta do carro e vão de volta ao hospital,  chegando é anunciado como doador compatível, é levado a exames e aprovado, começa o processo de transfusão.

Os dias passam e Marcos descobre que a lesão na coluna o deixara sem condições de poder  andar, mas que sua vida fora salvo pela doação imediata de sangue que conseguira graças a agilidade e a doação de Seu João. Ao saber da doação de seu João, Marcos cai num choro infantil e revela ao pai “ – sempre desprezei esse senhor, nunca achei graça nele e sempre achei um aparecido, minha vontade era passar com o carro em cima dele de tão chato que o achava, e agora estou vivo graças a ele, pai, por favor chame ele aqui, devo minha vida a ele, quero pedir perdão e agradecer.” Sem que soubesse eis que adentra seu quarto o humilde porteiro e em choro Marcos não consegue expressar seu sentimento, apenas diz, “- me perdoa “ seu João o abraça e diz, “ – me perdoe você.

As vezes trabalhamos, convivemos com anjos que Deus coloca ao nosso lado, e os desprezamos, ignoramos, por suas condições diferenciadas das nossas, não aproximamos, não temos a sensibilidade de desfrutar da sua grandeza e da sabedoria para nossa evolução, por isso jamais despreze o seu semelhante, pois um dia ele poderá ser o seu pedido realizado que pede a Deus.

Dr. Bezerra de Menezes

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